E sai que hoje eu tô empolgada! Sabe quando você era uma criancinha e adorava fazer algo mesmo com a sua mãe gritando ao lado que você não deveria estar fazendo aquilo? Então, sempre adorei escrever. Quando eu era pequena, elouquecia a minha mãe porque acabava com todos os cadernos, bloquinhos, Post It's (claro que não tínhamos dinheiro para Post It, mas era praticamente um genérico), agendinhas e qualquer pedaço de papel que eu conseguia achar. E quantas canetas se acabaram na minha mão? Quando na época da escola, minha mãe fazia questão de contar quantas folhas tinha em cada divisória de matéria do meu caderno cada vez que eu falava que estava sem folhas em branco. Quantas e quantas broncas levei! É engraçado pensar nisso hoje, mas das cerca de 20 folhas que vinham nas seções do caderno, eu sempre acabava o ano letivo com cerca da metade ainda presa às espirais. Uma porque sempre fui muito doadora e sempre que via que um colega havia esquecido o caderno, logo arrancava as minhas páginas e acalmava os espíritos. Mas principalmente porque sempre gostei muito de escrever. Qualquer coisa! Às vezes escrevia poeminhas, às vezes "criava músicas", às vezes só escrevia por escrever mesmo. Podia ser uma melodia já conhecida ou cartinha para as amigas. Meu Deus, quantas cartinhas será que mandei para as minhas amigas? Desculpe mãe, mas foram realmente muitas! Não que a minha mãe não incentivasse o meu desenvolvimento lingüístico, mas quando o dinheiro é escasso, um caderno vira praticamente o equivalente a comprar um Porsche novo. Ok, um pouco de exagero não faz mal à ninguém, mas realmente levei broncas pelo meu disperdício de papel. E o mais interessante é que nunca obedeci! Ah vá! É, eu assumo que não sou a pessoa mais obediente do planeta (se minha mãe estivesse lendo, neste momento olharia para mim e sorriria dizendo: "Magiiiiiiiiiiiiiiina.. Você??? Desobediente???), mas escrever sempre foi uma paixão. Na maioria das vezes fazia exatamente o que faço hoje com este blog. Palavras desconexas sem fundamento ou intuito algum. Não que eu escreva para matar o tempo, mas para mim sempre funcionou como terapia. Apesar disso, nunca tive diário. Quer dizer, tive vários diários! Eu explico: nunca fui de escrever: "Hoje eu acordei, fui na casa da Aninha, comemos hot dog e mandei uma cartinha para ela. Boa noite!". Não, meus textos sempre foram no estilo que são até hoje. Não conto necessariamente o que houve no meu dia ou exponho algum episódio do meu cotidiano. Às vezes acontece, mas o meu forte mesmo é escrever essas palavras à "la" louca, do jeito que vêm a minha cabeça. Sem receita ou script. Porque os diários que tive nunca foram para me recordar do dia a dia, mas para extravasar. Sofro de uma doença (tipo alergia; não é graaaaave, mas é chata) de pele sem cura que me ataca quando estou com taxas elevadas de stress. Por algum motivo, o ano passado estava impossível para mim. Bom, é claro que imagino alguns dos motivos, mas acho que em boa parte porque andava muito ansiosa no trabalho e na recém vida de casada. O caso é que depois de inúmeras visitas à minha dermatologista, ela me aconselhou terapia com uma psicóloga. Amei! Existem vantagens em morar "sozinha"! Sempre quis ir à um psicólogo, mas minha mãe sempre teve aquele preconceito típico de que psicólogo é para cuidar de loucos e para achar problemas onde não tem. Acabou pagando a língua quando o meu irmão mais novo, xodó assumido dela (e de todos da casa, para ser honesta) se formou em psicologia no fim do ano passado e está realizado na profissão. Ela também nunca gostou muito que fôssemos à São Paulo (cidade; moramos no estado) e adivinha onde o bichinho está fazendo a especialização e, portanto, morando? Ok, mas meu irmão não é o caso. Não hoje. Não agora, ao menos. Fiz pouco tempo de terapia, mais ou menos uns 6 meses, imagino; mas acabei abandonando porque estava muito difícil de pagar. Em casa nova, é difícil ter esses luxos. Pretendo voltar, claro, assim que a situação melhorar, mas por enquanto deixei de gastar uma bufunfinha com as minhas idas, então a minha parada não foi em vão. Então chegou um ponto em que vi que as minhas tão temidas alergias estavam voltando. Foi aí que resolvi criar este blog e escrever. De alguma forma, o considero mais pessoal do que se tivesse algo guardado só para mim numa gaveta. Por inúmeros motivos: o primeiro porque se ninguém sabe dele, ninguém vai fuçar, certo? Se meu marido achasse um caderninho certamente começaria a ler. Não que eu tenha algum problema com ele lendo, mas acho que ele cansaria de ler e pediria para que eu resumisse o negócio todo. Sei lá, só acho trabalhosamente desnecessário. Mas Lindo, caso você esteja lendo, sinta-se à vontade! Não considero uma invasão de privacidade, ok? Há meios mais privados caso eu não quisesse que você lesse e não os utilizo porque você é o meu melhor amigo e eu amo dividir a minha vida com você, apesar de você já conhecer a maioria dos meus pensamentos. Claro que se um dia ele descobrir do blog e ler, não vou ter problema nenhum com isso, mas penso que ele provavelmente não se interessaria tanto assim pelo conteúdo. Não escondo, mas também não contei; ao menos ainda. E se bem o conheço, ele jamais leria um texto com o tamanho deste; nem que fosse caso de vida ou morte! Eu deveria ler mais; ando realmente precária nesta área, mas apesar dos pesares, gosto. Não gostava até que com uns 14 anos uma amiga me recomendou a Becky Bloom e eu me apaixonei. Nunca mais parei, mas ela merece um post exclusivo qualquer dia desses! A Becky, não a amiga. Quer dizer, a amiga também provavelmente, mas aí já seria tediosamente sem sentido. Mais que o normal! O Querido detesta ler; e mais ainda ler sobre coisas sem nexo. Outro motivo pelo qual eu decidi criar o blog é porque sou extremamente perfeccionista. Absurdamente. Do tipo que jogava fora uma folha de trabalho na qual havia escrito na frente e no verso caso errasse alguma palavra na última linha do texto apenas para não rasurar. Nunca gostei dos famosos branquinhos. Meu pai sempre disse que ficava grosseiro e feio. E que eu não podia entregar trabalho feio. Rabiscar então? Jamais. Quando era novinha e ainda não tinha muito discernimento, caso eu entregasse algum trabalho escolar com rabiscos ou rasuras, levava um sermão do meu pai falando do por quê tudo tinha que ser meticulosamente bem feito. Então me acostumei assim. Às vezes me irritava de ter que refazer tudo, mas sempre me incomodou mais ainda entregar trabalho mal feito ou com letra feia. Os meus trabalhos sempre tiveram capa, foram entregues em plastiquinhos para não haver perigo de pegar chuva etc. Era uma exagero, mas quando cheguei à faculdade, já estava mais que acostumada com a ABNT, o que foi uma facilidade enorme perto do que os meus colegas passaram! Daí mais um motivo pelo qual eu gastava as tão preciosas folhas do meu caderno sem nem pensar. Na minha escrita, tudo tem que ser perfeito: do português à tipografia. Hoje, por exemplo, fiz uma anotação do nome de um vendedor (X) em uma agenda que precisarei contatar amanhã novamente à respeito do carro do meu marido. A minha letra saiu horrível e não tive dúvidas em rabiscar e começar em outra página tudo de novo. Não aproveito nem a página feia; me dá pânico. Até porque é agenda de 2010, então não me importa em que data discorro; o importante é estar bonito! E a letra do meu irmão mais velho então? É uma das letras mais bonitas que já vi. Minúscula, redondinha, tudo do mesmo tamanho, sem um errinho de grafia. Papai nos ensinou direitinho! Mas voltando ao blog: com a minha saída da terapeura, esta é a forma que encontrei para ainda contar tudo o que me acontece sem ter que pagar por isso. Aqui consigo falar o que penso sem filtros, sem medos; como era nas minhas sessões com a dita cuja. E adoro isso! Claro que lá era mais pessoal do tipo: "Eu e o Querido brigamos e eu odeio ele agora!" e em 10 minutos de conversa já virava "Ele é tão fofinho, tão bonzinho, amo tanto..". Aqui prefiro filosofar. Ainda falo sobre coisas que me incomodam, mas sem dar nomes aos burros. Não que ele seja burro, ok? Ele tá mais pra gatinho! Só para ficar claro! Ah, me perdi no perfeccionismo. Esse é o problema de quem escreve demais. Uma coisa emenda na outra e quando você vê o assunto já não tem mais nada a ver com nada. Então, a grande vantagem do blog é que consigo escrever, ler, apagar, consertar, mudar, acrescentar. No papel fica muito bagunçado para fazer isso e eu travo. Aqui não. Mudo o que quero quando quero. Troco foto, relembro de momentos. É mais fácil. Engraçado isso vir de uma pessoa que nunca conseguiu criar nada diretamente no computador. Até na faculdade sempre escrevi primeiro no papel para depois passar as letrinhas para a tecnologia. Achava que as palavras vinham melhor quando estava escrevendo, propriamente dito. Surpresa! Aqui também dá certo e na maioria das vezes meus dedos andam sozinhos procurando as teclas para formar as palavras. Não penso no que vou escrevem nem tampouco no teclar, nos botões. A coisa flui, sei lá. E o meu dedo agradece. Sempre segurei o lápis errado! Quando tinha por volta e 9 ou 10 anos minha mãe me levou à um médico para que eu pudesse aprender a segurar o lápis (ou caneta) corretamente. Não aprendi. Tenho um calo gigante no dedo do meio da mão direita. Minha unha é deformada, mas não tenho vergonha. Para mim isto é um reflexo dos meus reflexos, ou seja, é a prova viva de que a escrita e eu somos aliadas desde que eu era pequena. E com modéstias bem à parte, acho que escrevo bem. O conteúdo pode ser falho e é claro que o modo como escrevo aqui, repetindo palavras, sem me preocupar muito com as pontuações e com mais de um "E" por sentença não é como faria algum trabalho acadêmico. Assim como usamos diferentes tipos de roupas para diversidades de ocasiões, a escrita também deve respeitar o seu objetivo, se adaptar. Mas como este blog é meu, muito meu e somente meu, faço dele o que quiser! Agora vou lá, dar uma de louca e ler tudo o que escrevi até agora. Parece absurdo, eu sei, mas eu leio tudo o que registrei antes de publicar, por incrível que pareça; mesmo quando a filosofia é chata, longa e sem sentido como hoje. Sou assim, uai. Perfeccionista e escritora; ainda que eu seja a minha única leitora. Ah, e por que eu ainda tenho uma agenda de 2010? Porque me conheço bem e qualquer pedacinho de papel que me sobra eu guardo; dia mais, dia menos, eu vou acabar escrevendo algo nele. Como fiz hoje.
"Sei que às vezes uso palavras repetidas. Mas quais são as palavras que nunca são ditas?"XOXO, SM.
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